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VORCARO: Celular de banqueiro preso pela PF tinha contatos de 18 deputados e ex-deputados ligados à direita

DESTAQUECIDADEPOLÍTICA

Agenda encontrada no telefone de Daniel Vorcaro inclui parlamentares de partidos como PL, PP, PSD, Republicanos e Novo. Investigação aponta proximidade política, mas não há registros de integrantes do governo ou de partidos de esquerda.

Já está em vigor em Belo Horizonte a lei de autoria do vereador Diego Sanches que garante a vacinação domiciliar A apreensão do celular do empresário e banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, revelou uma agenda com 18 nomes de deputados e ex-deputados federais, a maioria ligada a partidos da direita no Congresso Nacional.

Vorcaro foi preso em operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. Segundo as investigações, o grupo é suspeito de planejar ações violentas contra adversários e jornalistas, entre eles o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

De acordo com informações extraídas do iPhone 17 apreendido, considerado pelos investigadores o telefone “comercial” do banqueiro, a lista de contatos inclui parlamentares de diversos partidos, com predominância do PL, legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Distribuição partidária

A análise dos nomes encontrados na agenda mostra a seguinte divisão:

  • PL: 5 nomes

  • PP: 4 nomes

  • PSD: 3 nomes

  • Republicanos: 2 nomes

  • Novo: 2 nomes

  • União Brasil: 1 nome

  • PSDB: 1 nome

Segundo fontes ligadas à investigação, não foi encontrado nenhum contato de parlamentares do PT, PCdoB, PSB ou de partidos da base do governo federal.

Parlamentares encontrados na agenda

Entre os nomes presentes no telefone estão:

  • Nikolas Ferreira (PL-MG)

  • Aguinaldo Ribeiro (PP-PB)

  • Altineu Côrtes (PL-RJ)

  • Arthur Lira (PP-AL)

  • Bilac Pinto (União Brasil-MG)

  • Diego Coronel (PSD-BA)

  • Doutor Luizinho (PP-RJ)

  • Fábio Mitidieri (PSD-SE)

  • Fausto Pinato (PP-SP)

  • Flávia Arruda (PL-DF)

  • Hugo Motta (Republicanos-PB)

  • João Carlos Bacelar (PL-BA)

  • Lucas Gonzalez (Novo-MG)

  • Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG)

  • Márcio Marinho (Republicanos-BA)

  • Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG)

  • Rodrigo Maia – ex-presidente da Câmara

  • Vinicius Poit (Novo-SP)

NIKOLAS FERREIRA

Entre os nomes que chamaram atenção está o do deputado mineiro Nikolas Ferreira (PL-MG). O parlamentar teria utilizado cerca de 10 vezes o jatinho pertencente a Daniel Vorcaro durante a campanha eleitoral de 2022, em agendas políticas realizadas em diferentes cidades.

Além disso, o deputado também aparece citado em meio às conexões do grupo investigado, sendo apontado como ligado ao empresário Fabiano Zettel, sócio e cunhado de Vorcaro, e ao pastor e deputado federal André Valadão, figura influente no campo conservador e religioso.

As autoridades ressaltam que a presença de nomes na agenda telefônica não significa necessariamente envolvimento direto nas investigações. O material apreendido faz parte do conjunto de provas analisado pela Polícia Federal para mapear a rede de relações do empresário.

O caso continua em apuração e novas informações podem surgir a partir da análise completa dos dados extraídos dos dispositivos eletrônicos apreendidos na operação.

Daniel Vorcaro vai ficar em isolamento por
10 dias na penitenciária de Potim, no interior de SP

Após o período de isolamento, terá início o chamado regime de observação, em que o preso pode permanecer em cela separada do restante da população carcerária e tem direito a até duas horas diárias de banho de sol.

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está em isolamento por 10 dias na Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, após ser transferido para a unidade na manhã desta quinta-feira (5).

Vorcaro foi preso, em uma nova fase da operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras.

Nesta nova fase da operação, a investigação revelou:

  • a existência de uma “milícia privada” chamada “A Turma”, usada para intimidar e espionar adversários. Havia um plano para atacar o jornalista Lauro Jardim;

  • acesso ilegal a sistemas da PF, MPF, FBI e Interpol para obter dados sigilosos;

  • envolvimento de dois servidores do Banco Central, suspeitos de receber vantagens indevidas e antecipar informações ao Master.

Depois da prisão, Vorcaro passou pelo Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos e, no início da manhã desta quinta, foi levado para Potim em um veículo da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).

A medida faz parte do procedimento padrão aplicado a presos que chegam ao sistema prisional paulista. No momento da transferência, o banqueiro já vestia o uniforme fornecido pela SAP, com calça caqui e camiseta branca.

Nessa etapa, obrigatória para todos os presos que ingressam no sistema prisional, são feitos procedimentos administrativos e de segurança.

Entre eles estão revista pessoal e de objetos, higienização obrigatória, corte de cabelo no padrão da unidade, registro fotográfico e coleta de impressões digitais. Também ocorre a substituição das roupas civis pelo uniforme do presídio.

DELAÇÃO PREMIADA DE VORCARO

A discussão sobre uma eventual delação premiada de Vorcaro ainda é considerada precoce. Mas, entre aliados e advogados, a leitura já é clara: com o ministro Dias Toffoli, a única saída possível para o banqueiro seria pela política. Já com o ministro André Mendonça, que autorizou a operação atendendo a pedidos da Polícia Federal (PF) a saída passaria por outro caminho — e dependeria do próprio investigado.

Ou seja: qualquer saída jurídica para Vorcaro teria de ser construída pelo próprio Vorcaro. Na prática, isso recoloca a DELAÇÃO PREMIADA no radar. Essa avaliação ganhou força nas últimas horas por dois sinais observados nos bastidores.

O primeiro é a movimentação em torno da defesa. Já há conversas sobre quem assumiria o caso, e alguns advogados procurados disseram que não aceitariam conduzir uma estratégia baseada em delação premiada. Esse tipo de recusa, neste momento, costuma ser visto por investigadores como um indicativo relevante sobre qual linha de defesa está sendo considerada.

O segundo ponto envolve justamente a ausência de apoio da PGR às medidas pedidas pela Polícia Federal. Na decisão que autorizou a operação, Mendonça registrou que considerou lamentável o fato de a Procuradoria não ter apontado urgência para as medidas solicitadas pelos investigadores.

Foto: Divulgação

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