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VERGONHA NACIONAL: Escândalo na Câmara que vive o caos, imprensa é bloqueada e Hugo Motta insiste em votar projeto que reduz pena de Bolsonaro

DESTAQUEPOLÍTICA

Brasil, mostra tua cara — enquanto brasileiros demonstram indignação e até nojo de grupos políticos que, em plena crise na Câmara, fazem de tudo para anistiar Bolsonaro e reduzir sua pena.

Foto: Divulgação

A sessão desta terça-feira, 9, na Câmara dos Deputados, em Brasília, se transformou em um dos episódios mais tensos do Legislativo nos últimos anos. Relatos de tumulto, empurra-empurra, agressões a jornalistas e até o corte do sinal da TV Câmara marcaram uma tarde que chamou atenção do país inteiro e gerou forte repercussão internacional.

A confusão começou quando o deputado Glauber Braga (PSOL), que responde a um processo e já está ameaçado de cassação, ocupou a cadeira da mesa diretora pouco antes das 18h. O ato foi um protesto contra a decisão de colocar em votação um projeto que reduz a pena de condenados por tentativa de golpe. Segundo relatos, o deputado se recusou a deixar a cadeira, gerando uma paralisação completa dos trabalhos.

Diante da resistência, o presidente da Casa, Hugo Motta, determinou que a Polícia Legislativa retirasse Glauber Braga à força. Em seguida, o acesso da imprensa ao plenário foi impedido, parlamentares foram barrados e o sinal da TV Câmara foi interrompido — uma medida raríssima e amplamente criticada.

Jornalistas relatam agressões

Na saída do deputado, novas cenas de desordem ocorreram. Profissionais da imprensa relataram ter sido empurrados e agredidos por agentes da Polícia Legislativa que tentavam controlar o tumulto.

Após a retirada de Braga, Hugo Motta retomou a sessão e afirmou que determinou uma apuração interna sobre possíveis excessos cometidos contra jornalistas.

A reação das entidades de imprensa foi imediata. Abert, Associação Nacional de Editores de Revistas e Associação Nacional de Jornais divulgaram notas duras condenando o cerceamento do trabalho jornalístico e classificando o corte do sinal da TV Câmara como incompatível com o exercício da liberdade de imprensa e com o funcionamento democrático do Parlamento.

Cassação de Glauber Braga vai a plenário

Glauber Braga responde por quebra de decoro parlamentar. A votação que pode resultar em sua cassação está prevista para ocorrer nesta quarta-feira. O processo está relacionado ao episódio em que o deputado se envolveu em uma briga com um militante de direita em 2024.

Repercussão nacional: clima de preocupação e descrença

O episódio provocou forte reação em todo o país. Muitos brasileiros afirmam estar assustados com o que se tornou rotina em Brasília: confrontos entre grupos políticos, tumulto, desordem no plenário e disputas que ultrapassam o debate político e passam para o campo físico e institucional.

Comentários nas redes sociais e análises de especialistas apontam que o ambiente político parece cada vez mais instável, com parlamentares divididos em grupos que, muitas vezes, demonstram agir não por propostas ou projetos, mas por interesses que visariam evitar condenações ou aliviar penalidades.

Além disso, pesa no debate a percepção de que a votação sobre a redução de pena dos condenados por tentativa de golpe poderá beneficiar diretamente figuras de destaque da direita, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que aumenta ainda mais a tensão.

Com o tumulto viralizando em veículos internacionais, a sessão desta terça-feira reforça a preocupação sobre a imagem do Brasil no exterior e coloca mais pressão sobre o Legislativo, que enfrenta um de seus momentos mais conturbados das últimas décadas.

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