MILHÕES EM SHOWS, POVO SEM ÔNIBUS, MÉDICOS E UNIFORME: ATÉ QUANDO O DINHEIRO PÚBLICO VAI VIRAR PALCO POLÍTICO DE MUITAS PREFEITURAS EM TODO BRASIL?
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Projeto discutido na Assembleia Legislativa de Minas Gerais quer limitar cachês pagos por prefeituras após explosão de gastos milionários com artistas enquanto cidades enfrentam crise na saúde, transporte público e educação.
Projeto discutido na Assembleia Legislativa de Minas Gerais quer limitar cachês pagos por prefeituras após explosão de gastos milionários com artistas enquanto cidades enfrentam crise na saúde, transporte público e educação.
A discussão sobre os gastos milionários de prefeituras com shows e grandes eventos voltou a gerar revolta em Minas Gerais. Enquanto milhares de moradores enfrentam diariamente ônibus lotados, postos de saúde sem médicos, falta de medicamentos e escolas com estrutura precária, cidades seguem anunciando festas com cachês que ultrapassam R$ 1 milhão.
O debate ganhou ainda mais força após o avanço, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, do Projeto de Lei 5.656/26, de autoria dos deputados estaduais Antonio Carlos Arantes (PL) e Professor Cleiton (PV). A proposta pretende limitar o uso de dinheiro público na contratação de artistas para shows, rodeios e eventos culturais.
O texto estabelece teto de R$ 500 mil por apresentação ou o equivalente a 1% da receita corrente líquida do município. O valor incluiria cachê artístico, transporte, alimentação e demais despesas diretamente ligadas ao espetáculo.
A proposta surgiu justamente após a explosão dos cachês no mercado artístico nos últimos anos. Segundo produtores de eventos, artistas que cobravam cerca de R$ 200 mil passaram a exigir entre R$ 600 mil e R$ 1 milhão por apresentação.
Durante audiência pública realizada na ALMG, o deputado Antonio Carlos Arantes criticou duramente os gastos considerados abusivos.
“Num lugar em que está faltando água para comunidades, pagar R$ 1,2 milhão em show é um escárnio com o dinheiro público”, afirmou o parlamentar.
O tema repercute fortemente em diversas regiões do estado, especialmente em cidades do interior onde festas agropecuárias e eventos municipais se transformaram em grandes vitrines políticas.
Em municípios mineiros, a população questiona até onde vai o limite entre investimento cultural e desperdício de dinheiro público.
VESPASIANO
Em Vespasiano, por exemplo, moradores convivem diariamente com reclamações sobre o transporte coletivo. Ônibus lotados, atrasos constantes, linhas precárias e falta de fiscalização fazem parte da rotina de quem depende do serviço para trabalhar.
Enquanto isso, milhões podem ser destinados a estruturas de grandes eventos e contratação de artistas nacionais.
Levantamentos de mercado apontam que nomes como Ana Castela podem custar cerca de R$ 1,2 milhão por apresentação em eventos públicos. Já Naiara Azevedo pode variar entre R$ 200 mil e R$ 500 mil, dependendo da estrutura e da data do evento.
Somando palco, som, iluminação, segurança, camarim, hospedagem, transporte e produção, o custo final de uma festa pode ultrapassar facilmente alguns milhões de reais.
A revolta da população aumenta diante da realidade enfrentada nos serviços básicos.
Na saúde pública, moradores relatam falta de medicamentos, ausência de insumos e estruturas precárias em unidades de atendimento. Na Policlínica do Santa Clara, denúncias apontam problemas já na entrada da unidade, além de muito mato e sensação de abandono.
Na educação, pais seguem cobrando uniformes escolares e melhorias na infraestrutura das escolas. No transporte público, trabalhadores enfrentam horas de espera e veículos sucateados.
Para muitos moradores, o problema não está na realização das festas, mas na prioridade dada pelo poder público enquanto áreas essenciais seguem abandonadas.
Defensores do projeto afirmam que a proposta não pretende acabar com eventos culturais nem prejudicar o turismo regional, mas estabelecer limites e garantir mais responsabilidade com o dinheiro público.
Outro ponto defendido é o fortalecimento dos artistas mineiros e regionais, que frequentemente ficam fora das grandes programações mesmo representando a cultura local.
A discussão ainda deve avançar nas próximas semanas na Assembleia Legislativa, mas já escancarou um questionamento cada vez mais forte entre os mineiros:
Até quando cidades com problemas históricos na saúde, educação e transporte vão continuar gastando milhões em shows enquanto a população sofre com a falta do básico?
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Foto: Divulgação
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