Desemprego cai para 5,3% no governo Lula e emprego bate novo recorde histórico
DESTAQUECIDADEPOLÍTICA
Lula mira novo ciclo de investimentos: governo aposta em contas mais equilibradas para ampliar recursos para saúde, educação e trabalhador.
Com desemprego em nível historicamente baixo, 103,3 milhões de brasileiros ocupados e previsão de superávit primário para 2027, governo Lula defende que um eventual novo mandato poderá transformar o avanço econômico em mais investimentos públicos e benefícios sociais.
O Brasil chega a 2026 com um mercado de trabalho em seu melhor momento da série histórica, com desemprego de 5,3% e 103,3 milhões de pessoas ocupadas. O cenário fortalece o discurso do governo Luiz Inácio Lula da Silva de que a economia brasileira entrou em uma nova fase e que, com a melhora gradual das contas públicas, o país poderá ampliar os investimentos em áreas consideradas essenciais, como saúde, SUS, educação, mobilidade e políticas voltadas aos trabalhadores.
A avaliação do governo é que o primeiro período do atual mandato foi marcado pela necessidade de reorganizar as contas públicas, enfrentar despesas acumuladas e reconstruir programas e políticas que haviam perdido espaço. Lula tem sustentado que, com a economia crescendo e o resultado fiscal melhorando, um eventual novo mandato poderá ser utilizado para ampliar investimentos e fazer com que uma parcela maior do crescimento econômico chegue diretamente à população.
A discussão sobre as contas públicas, entretanto, exige uma distinção importante. O governo Bolsonaro terminou 2022 com superávit primário de aproximadamente R$ 54,9 bilhões, equivalente a 0,6% do PIB, segundo o TCU. O próprio Tribunal, porém, registra que o resultado daquele ano ocorreu após autorizações para deduções no cálculo e que houve receitas e medidas extraordinárias.
Já 2023, primeiro ano do governo Lula, terminou com um déficit primário de aproximadamente R$ 264,5 bilhões no resultado fiscal considerado pelo TCU. Portanto, a narrativa de que o atual governo simplesmente recebeu um “rombo de 2,8%” não corresponde ao resultado fiscal de 2022 e precisa ser tratada como uma declaração política do presidente, e não como um dado contábil literal.
A aposta do governo é no crescimento para melhorar as contas
Mesmo diante das dificuldades fiscais, o governo Lula tenta apresentar uma mudança de trajetória. Para 2027, o Ministério do Planejamento anunciou que pretende trabalhar com superávit primário efetivo entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões, enquanto a proposta orçamentária prevê uma meta de superávit de R$ 73,2 bilhões, equivalente a 0,5% do PIB, considerando a metodologia da meta fiscal.
É nesse ponto que entra a estratégia política de Lula para um eventual novo mandato.
A lógica defendida pelo governo é que não basta aumentar a arrecadação ou cortar despesas: é necessário fazer a economia crescer, aumentar o emprego, elevar a renda e, ao mesmo tempo, melhorar o resultado das contas públicas. Com mais pessoas trabalhando e recebendo salários, a arrecadação cresce naturalmente por meio do consumo, da renda e da atividade econômica.
E os números do mercado de trabalho ajudam o governo a sustentar essa argumentação.
O país alcançou 103,3 milhões de pessoas ocupadas, enquanto o número de desempregados caiu para aproximadamente 5,8 milhões. O emprego formal também bateu recorde, com 39,4 milhões de trabalhadores do setor privado com carteira assinada.
Esse cenário cria uma diferença importante em relação ao final do governo Bolsonaro. Em dezembro de 2022, a taxa de desemprego estava em 7,9%. Agora, no trimestre encerrado em julho de 2026, está em 5,3%.
Mais emprego pode significar mais espaço para políticas sociais
Para o governo Lula, o crescimento do emprego é uma das principais ferramentas para financiar um novo ciclo de desenvolvimento.
Com mais brasileiros trabalhando, aumenta a arrecadação de impostos e contribuições, diminui a necessidade de determinados benefícios emergenciais e cresce o consumo das famílias. O objetivo político é transformar esse movimento em capacidade de investimento do Estado.
A proposta seria ampliar recursos para setores como SUS, hospitais públicos, atenção básica, educação infantil, ensino técnico e superior, escolas em tempo integral, infraestrutura urbana, transporte público e mobilidade, além de programas destinados diretamente aos trabalhadores.
Na educação, a equipe do governo também defende a ampliação de programas como o ensino integral e o Pé-de-Meia, além de investimentos por meio do Fundeb e de recursos vinculados ao Fundo Social do Pré-Sal.
Mas o desafio fiscal continua
Apesar do discurso de melhora, o cenário fiscal ainda exige cautela.
O TCU apontou que o resultado primário efetivo da União em 2025 foi deficitário em R$ 58,7 bilhões, equivalente a 0,46% do PIB, e considerou o esforço fiscal insuficiente para estabilizar a dívida pública. A dívida bruta passou de 76,3% para 78,7% do PIB no ano.
Por isso, o eventual aumento de investimentos em saúde, educação e infraestrutura dependerá não apenas do discurso político, mas da capacidade do governo de reduzir o déficit, controlar o crescimento das despesas obrigatórias e criar condições para que a dívida deixe de crescer em relação ao tamanho da economia.
O próprio governo afirma que pretende chegar a uma situação fiscal mais confortável nos próximos anos. Se conseguir combinar crescimento econômico, aumento da arrecadação e controle das despesas, haverá maior espaço para ampliar investimentos.
Lula quer apresentar 2027 como o início de uma nova etapa
A mensagem que o governo pretende levar ao eleitor é direta: o primeiro ciclo foi de reconstrução e reorganização; um eventual segundo mandato seria o momento de ampliar investimentos e entregar mais resultados diretamente à população.
Nesse discurso, o crescimento do emprego aparece como uma das principais vitrines.
O Brasil saiu de uma taxa de desemprego de 7,9% no fim de 2022 para 5,3% no trimestre encerrado em julho de 2026, enquanto a população ocupada chegou ao recorde de 103,3 milhões.
A promessa política, portanto, é que uma economia com mais empregos, maior renda e contas públicas progressivamente mais equilibradas poderá permitir que o governo invista mais em saúde, SUS, educação, mobilidade, infraestrutura e políticas de proteção ao trabalhador.
A questão central para os próximos anos será saber se o governo conseguirá transformar essa promessa em resultado fiscal sustentável. Afinal, superávit não significa automaticamente mais dinheiro disponível para gastar: antes de ampliar despesas, é necessário considerar juros da dívida, despesas obrigatórias, regras fiscais e o próprio nível de endividamento do país.
Ainda assim, para o governo Lula, os atuais indicadores de emprego e a perspectiva de melhora fiscal representam uma oportunidade para defender uma nova etapa: menos brasileiros desempregados, mais brasileiros trabalhando e, se as contas permitirem, mais investimentos públicos chegando à população.
Siga nossas matérias no site: jornalsemprebh.com.br sempre temos notícias de tudo que está acontecendo em Belo Horizonte, de Minas Gerais e do Brasil.
Acompanhe também o Jornal da Grande BH pelo site jornaldagrandebh.com.br
Foto: Divulgação
Related Stories
Jornal Sempre Bh Ltd © 2022
O Jornal Sempre BH capacita a geração de amanhã para um futuro mais brilhante e cheio de esperança para cada indivíduo.
Termos & Condições
Política de Privacidade
Preencha a caixa de entrada
Assine nossa newsletter e nunca perca uma história.
Nós nos importamos com seus dados em nossa política de privacidade.
Siga Nós no Instagram
Siga Nós no Instagram
(31) 99277-8018

Nós nos importamos com seus dados em nossa política de privacidade.




