Desabafo de mãe em reunião na Câmara de Sete Lagoas expõe abandono no atendimento a autistas
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Relato emocionante ocorrido em 07 de abril de 2026 ganha repercussão; 13 dias após pedido de socorro feito por Patrícia a vereadores de Sete Lagoas, nenhuma providência foi tomada e nenhum parlamentar se propôs a ajudar — cenário reflete realidade em que 92% dos cuidadores de pessoas com Transtorno do Espectro Autista são mulheres.
Uma reunião realizada no dia 07 de abril de 2026, na Câmara Municipal de Sete Lagoas, na Região Central de Minas Gerais, foi marcada por um momento de forte emoção e denúncia durante o mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em vídeo que rapidamente ganhou repercussão, uma mãe fez um apelo público por ajuda ao filho, expondo a falta de atendimento adequado e o que classificou como descaso por parte do Poder Executivo.
Durante o desabafo, a mulher relatou a dificuldade em conseguir suporte especializado e a ausência de respostas efetivas por parte dos órgãos responsáveis. Segundo ela, a situação tem se agravado com o tempo, trazendo impactos diretos na qualidade de vida da criança e também na saúde emocional da família. A fala sensibilizou vereadores presentes e chamou a atenção da população para uma realidade que, embora muitas vezes invisível, é vivida diariamente por milhares de brasileiros.
O caso de Sete Lagoas não é isolado. Ele reflete um cenário nacional preocupante. De acordo com levantamento recente, cerca de 92% dos cuidadores de pessoas com TEA no Brasil são mulheres, em sua maioria mães, que assumem quase integralmente a responsabilidade pelos cuidados. Esse dado evidencia uma sobrecarga significativa, que vai além da rotina doméstica e inclui acompanhamento em terapias, consultas médicas, atividades escolares e suporte emocional contínuo.
Muitas dessas mulheres acabam abrindo mão da carreira profissional e da independência financeira para se dedicarem integralmente aos filhos, enfrentando desafios econômicos e sociais. A falta de políticas públicas efetivas, aliada à escassez de serviços especializados acessíveis, agrava ainda mais esse cenário, gerando uma sensação constante de abandono.
Após a repercussão do caso, a mãe Juan Patrícia Aparecida Vargas Barbosa informou que, mesmo depois de comparecer à Câmara dos Vereadores de Sete Lagoas para expor o pedido de ajuda, nenhuma medida concreta foi tomada até o momento para atender às necessidades do filho. Segundo ela, infelizmente, o poder público municipal não apresentou respostas e mantém o silêncio diante da situação.
Além da falta de assistência, a mãe detalhou os altos custos mensais para garantir o tratamento do filho. Segundo Patrícia, o canabidiol utilizado por Juan custa cerca de R$ 1.750 por frasco, sendo necessários dois por mês. Outras medicações somam aproximadamente R$ 900 mensais.
Ela também relatou gastos com suplemento alimentar, que ultrapassa R$ 200 por lata, com consumo de cerca de seis unidades mensais. Há ainda medicamentos de uso contínuo que exigem até quatro caixas por mês, já que a criança faz uso diário de três comprimidos.
Patrícia destacou que nem sempre consegue apoio da população para arcar com os custos. “Não é toda vez que a população consegue me ajudar, porque está difícil para todo mundo”, relatou.
Segundo ela, todos os medicamentos e suplementos são comprados com recursos próprios, sem qualquer fornecimento por parte do município ou do estado. A família já recorreu à Justiça para garantir o acesso ao tratamento, mas ainda aguarda uma decisão.
A declaração reforça o sentimento de abandono relatado por diversas famílias e amplia a cobrança por providências efetivas. “Aqui estamos o povo pelo povo”, afirmou, ao destacar a importância da mobilização social diante da ausência de ações do poder público.
Especialistas apontam que o atendimento a pessoas com TEA precisa ser multidisciplinar e contínuo, envolvendo áreas como psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e acompanhamento pedagógico. No entanto, a oferta desses serviços na rede pública ainda é insuficiente em diversas regiões do país, o que obriga muitas famílias a recorrerem ao sistema privado — nem sempre acessível.
O desabafo ocorrido na Câmara de Sete Lagoas reacende um debate urgente: a necessidade de ampliar e qualificar o atendimento às pessoas com necessidades especiais, garantindo não apenas acesso a tratamentos, mas também suporte às famílias que assumem o papel de cuidadoras.
Mais do que um relato individual, a fala da mãe representa o grito coletivo de milhares de famílias que lutam diariamente por dignidade, respeito e acesso a direitos básicos.
Projeto em tramitação em Brasília propõe apoio às mães
Diante desse cenário de sobrecarga, um projeto em tramitação no Congresso Nacional busca justamente ampliar o olhar do Estado sobre quem cuida. O Projeto de Lei 6730/25 institui a Política Nacional de Proteção à Maternidade Atípica, com o objetivo de criar uma rede pública específica para apoiar mães e cuidadores.
O texto define maternidade atípica como a vivência de mulheres ou famílias que assumem cuidados contínuos e intensos de pessoas com deficiência, Transtorno do Espectro Autista ou condições crônicas.
Autora da proposta, a deputada Rogéria Santos detalha como a política deve funcionar. O projeto cria a Rede Nacional de Acolhimento da Maternidade Atípica, que deverá oferecer serviços gratuitos em unidades públicas ou conveniadas.
Entre as obrigações da rede estão:
atendimento individual mensal para a mãe ou cuidador;
rodas de terapia semanais;
orientação jurídica sobre direitos;
apoio simultâneo: as unidades deverão oferecer atividades pedagógicas e lúdicas para as crianças durante o atendimento da mãe, removendo a barreira de não ter com quem deixar o filho para se cuidar.
Além disso, o projeto prevê incentivo à geração de renda, com programas de capacitação e apoio ao empreendedorismo para mulheres que precisaram deixar o mercado de trabalho.
A proposta também reconhece a maternidade atípica como fator agravante em casos de violência doméstica, garantindo prioridade no atendimento em delegacias e órgãos de proteção.
A proposta ainda será analisada por comissões da Câmara dos Deputados antes de seguir para votação.
🚨 QUEM PUDER AJUDAR O JUAN
A família pede apoio da população para garantir a continuidade do tratamento. Quem puder ajudar com medicamentos, atendimento médico ou suporte de clínicas, ou ainda contribuir financeiramente, pode enviar PIX:
💰 PIX: 31996938201
👤 Patrícia Aparecida Vargas Barbosa
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Fotos e vídeo: Divulgação

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