Deputada denuncia ameaça e machismo por parte do vice-governador de Minas
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Lud Falcão afirma que Mateus Simões tentou intimidá-la politicamente, ameaçou “fechar as portas” do Estado e agiu de forma machista após críticas do presidente da AMM.
Fotos: Divulgação
A deputada estadual Lud Falcão (Podemos) denunciou publicamente o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), por suposta ameaça, abuso de poder e comportamento machista. Segundo a parlamentar, o episódio ocorreu após críticas feitas ao governo estadual por seu marido, Luís Eduardo Falcão (sem partido), prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM).
Em pronunciamento público, a deputada fez questão de contextualizar sua trajetória e a legitimidade do mandato antes de relatar o ocorrido.
“Eu não cheguei até aqui por sobrenome, por dinheiro ou por família na política. Eu cheguei pelo voto. Foram 59.381 votos de mineiros e mineiras que confiaram em mim para representá-los. Por isso, não aceito recados, ameaças ou qualquer tentativa de intimidação”, afirmou.
De acordo com Lud Falcão, a reação do vice-governador ocorreu logo após a divulgação de um vídeo no qual o presidente da AMM alertava que os municípios mineiros devem iniciar 2026 com dificuldades financeiras, arcando com despesas que, segundo ele, seriam de responsabilidade do Estado. O vídeo também rebatia uma declaração atribuída a Mateus Simões, na qual teria minimizado o apoio dos municípios à segurança pública.
Segundo a deputada, poucos minutos após a publicação do vídeo, ela recebeu uma ligação direta do vice-governador, cujo teor classificou como intimidatório.
“O senhor me ligou não para dialogar, não para esclarecer, mas para ameaçar. Foi dito claramente que, se o meu marido não ligasse até meia-noite para pedir desculpas, o senhor fecharia as portas do Estado para mim. Que nenhum porteiro, nenhum servidor atenderia mais os meus pedidos”, relatou.
A parlamentar destacou que o impacto da suposta ameaça ultrapassa o âmbito pessoal e atinge diretamente a população mineira.
“Quando alguém diz que vai fechar as portas para uma deputada estadual, não está falando de mim. Está falando de prefeitos, de municípios, de famílias que precisam do Estado funcionando. O Estado de Minas Gerais não pertence a um vice-governador, pertence ao povo”, declarou.
Em tom ainda mais firme, Lud Falcão criticou o que classificou como uma postura autoritária e incompatível com a democracia.
“O básico da política é saber ouvir críticas. O contraditório faz parte da democracia. Quem reage com ameaça, com pressão e com autoritarismo demonstra despreparo para o cargo que ocupa e para qualquer projeto futuro de poder”, afirmou.
A deputada também afirmou que a escolha do vice-governador em ligar para ela, e não para o presidente da AMM, revela um viés machista.
“O número do presidente da AMM o senhor tem. Ele é prefeito, representa centenas de municípios. Mesmo assim, o senhor escolheu ligar para mim. Isso mostra que o senhor achou que poderia pressionar uma deputada mulher. Isso me dói profundamente e precisa ser dito: essa postura é machista”, disse.
Ela reforçou que não aceitará qualquer tentativa de silenciamento político.
“Meu mandato é independente, legítimo e respaldado pelo voto popular. Não aceitarei ser intimidada, não aceitarei receber recados e não aceitarei que tentem me calar. Continuarei defendendo os municípios, fiscalizando o governo e fazendo o papel que a Constituição me garante”, afirmou.
Por fim, Lud Falcão fez um alerta sobre os impactos institucionais do episódio, especialmente diante do fato de Mateus Simões ser apontado como pré-candidato ao Governo de Minas em 2026.
“Se essa é a forma de agir diante de uma crítica legítima, Minas Gerais precisa refletir muito bem sobre que tipo de liderança quer para o futuro. O Estado precisa de diálogo, respeito e compromisso com os municípios, não de autoritarismo”, concluiu.
VOCÊ, MULHER, QUE VAI ESCOLHER O PRÓXIMO GOVERNADOR DE MINAS GERAIS, VOTARIA EM UM CANDIDATO QUE USA O CARGO PARA AMEAÇAR UMA MULHER?

