Circo do Sufoco celebra 15 anos de trajetória com espetáculos, cortejos e oficinas em Belo Horizonte

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Programação reúne os trabalhos “Sufoco”, “Atemporal” e “Corações Trapezistas” em circulação por diferentes regiões da capital, com ações gratuitas e descentralizadas. A programação tem início no dia 20 de setembro, e irá ocupar diversas regionais da cidade, de forma descentralizada.

Há 15 anos, um palhaço entra em cena com uma missão aparentemente impossível: colocar de pé todas as atrações de um grande circo contando apenas consigo mesmo. Assim nasceu “Sufoco”, espetáculo que se tornou a principal marca da trajetória do artista circense Rafael Mourão e já ultrapassou a marca de mil apresentações em diferentes contextos, de festas de aniversário a grandes festivais. Para celebrar essa trajetória, o Circo do Sufoco realiza uma programação especial em Belo Horizonte, que reúne três espetáculos do repertório: “Sufoco”, “Atemporal” e “Corações Trapezistas”. A escolha não é por acaso. “‘Sufoco’ é o espetáculo que está fazendo 15 anos, por isso não poderia faltar na programação. ‘Atemporal’ e ‘Corações Trapezistas’ fazem parte do repertório do grupo e também têm a presença do palhaço Sufoco”, explica Rafael Mourão.

A programação irá ocupar a cidade de forma descentralizada. Abrindo as comemorações, no dia 20 de setembro, às 15h, o espetáculo “Sufoco” ocupa o Parque Ecológico Pedro Machado, localizado no bairro Santa Maria, na região Oeste de BH. A entrada é gratuita, sem a necessidade da retirada de ingressos. Já o espetáculo “Atemporal” fará duas apresentações para alunos de escolas públicas: no dia 21/09, na Escola Municipal Dom Jaime de Barros Câmara, no bairro Padre Eustáquio; e no dia 22/09, na Escola Municipal Jardim Vitória, no bairro Jardim Vitória.

A programação segue até o mês de novembro, com a circulação dos espetáculos: “Sufoco” (07/11, às 15h, na Praça Cândido Portinari, no bairro Tupi; 8/11, às 15h, no Parque Burle Marx, no Barreiro; e 15/11, às 10h30, no Parque Municipal, na região Central); “Corações Trapezistas” (12/11, às 15h, no Centro Cultural Vila Fátima, no Aglomerado da Serra; e 11/11, às 15h, no Centro Cultural Venda Nova).

A ação integra o projeto 15 anos de Sufoco (1587/2024), realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte e patrocínio do Instituto Unimed-BH.

Um palhaço, um circo inteiro - Em “Sufoco”, o público acompanha as tentativas de um palhaço para realizar todas as atrações de um grande circo. O problema é que há apenas uma pessoa no elenco: ele mesmo. Mágico, malabarista, acrobata, músico e equilibrista, Sufoco se desdobra em meio a confusões, tropeços, virtuosismo técnico e muita comicidade. O espetáculo reúne releituras de esquetes clássicas da palhaçaria e é pensado para todas as idades. “Um desafio foi manter o espetáculo sempre novo e atual. A cada apresentação estudamos e pensamos em como melhorar. Novas piadas são incorporadas, novos truques de malabares, novas mágicas, novos cenários e figurinos, mas mantendo a mesma estrutura do espetáculo”, afirma.

O resultado é uma montagem simples em sua estrutura, mas amadurecida por 15 anos de experiência. “Hoje conseguimos levar um show muito interativo e divertido para todas as idades”, completa.

Se “Sufoco” olha para a tradição da palhaçaria, “Atemporal” mergulha em um futuro pós-apocalíptico para discutir uma das questões mais urgentes do presente: a crise climática. Na montagem, um cientista vive isolado em seu laboratório, cercado por máquinas, experimentos químicos e uma natureza devastada. Sua missão é encontrar a fórmula capaz de devolver a vida à Terra. Até que um palhaço surge no laboratório e coloca em risco todo o esforço de pesquisa. “É um espetáculo que conversa muito com outras artes. Ele traz forte o teatro e uma estética visual e conceitual do Steampunk, presente na literatura, no cinema, na música e nas artes visuais”, explica Rafael.

Já em “Corações Trapezistas”, o circo aparece como memória, herança familiar e território de resistência. A história acompanha um avô e seu neto, dois palhaços de gerações diferentes que percorrem o país levando a arte circense de cidade em cidade. De um lado, o avô deseja reviver os tempos de glória; de outro, o neto procura caminhos para o futuro. Entre as memórias do passado e as dificuldades do presente, os dois mantêm vivo um pequeno circo de rua.

A montagem é uma homenagem aos circos tradicionais e, especialmente, às mulheres circenses, fundamentais para a manutenção dessas companhias ao longo das gerações. O espetáculo tem direção de Chico Pelúcio, do Grupo Galpão. “Corações Trapezistas é uma homenagem e um resgate da cultura dos circos tradicionais, que atualmente lutam para sobreviver no Brasil”, define Rafael.

A trajetória do Circo do Sufoco acompanha justamente esse movimento de resistência. “Trabalhar com circo hoje em dia é entender onde é possível e necessário o circo. Vemos que a estrutura de grandes picadeiros se tornou mais difícil, mas o desejo de assistir ao circo continua na cabeça das pessoas”, afirma Rafael. É nesse contexto que a rua, as praças, os teatros, os centros culturais e outros espaços passam a funcionar como novos picadeiros. “Fazer um espetáculo que seja possível levar para diferentes espaços se torna algo que aproxima o circo das pessoas novamente”, diz.

A capacidade de dialogar com diferentes linguagens também é parte dessa estratégia. “O circo é uma arte que abrange várias outras, como teatro, música, artes plásticas e dança. Entender que o público dessas artes também é público do circo nos fez criar obras que conversam diretamente com essas artes”, explica.

Para o artista, entretanto, a reinvenção não significa abrir mão daquilo que constitui a essência do circo. “Para manter o circo vivo, é necessário não perder uma das bases do circo: ter um espetáculo com muita técnica, emoção, beleza, espanto e surpresas. É entender que não se trabalha com circo, mas se vive de circo. Circo é um estilo de vida, mais que um simples trabalho”.

Circo para toda a cidade - A programação comemorativa dos 15 anos também amplia o alcance territorial do projeto. As ações ocupam Belo Horizonte de forma descentralizada, com prioridade para espaços localizados em áreas de maior vulnerabilidade social e historicamente menos favorecidas pelos mecanismos de incentivo às artes.

Além das apresentações de “Sufoco”, “Atemporal” e “Corações Trapezistas”, a agenda inclui duas oficinas e três palestras on-line. A Oficina de Perna de Pau, com Fernanda Flores, acontecerá, no Centro Cultural São Geraldo. Os participantes vão aprender a caminhar, truques e movimentos, técnicas de equilíbrio, quedas, segurança e jogos em perna de pau. Já a Oficina de Bambolê, com o grupo Bamboliricas, no Centro Cultural Pampulha, será aberta a crianças, jovens e adultos. A atividade aborda desde os primeiros contatos com o bambolê até giros, truques, manipulação, equilíbrio e dança. As oficinas são gratuitas e sem a necessidade de inscrição prévia. As datas serão divulgadas no Instagram @circodosufoco.

Encerrando a programação formativa, serão oferecidas três palestras online: Maquiagem artística, com Paula Alencar: irá abordar conhecimentos básicos em maquiagem para artistas das áreas cênicas, além de estudantes, profissionais técnicos da cultura e interessados pelo tema; Figurino, com Luiz Dias: conhecimentos básicos em figurino para artistas das áreas cênicas, além de estudantes, profissionais técnicos da cultura e interessados pelo tema; e Gestão cultural, com Chico Pelúcio: serão abordados temas como: políticas públicas, sistemas de gestão, além do relato de experiência em gestão do Galpão Cine Horto. A palestra contará com a participação especial do Chico Pelúcio, ator, diretor e gestor cultural, integrante do Grupo Galpão desde 1984 e diretor do Galpão Cine Horto. As palestras são gratuitas e acontecem no YouTube do Circo do Sufoco. As palestras são gratuitas e as inscrições são feitas no formulário disponível no Instagram @circodosufoco.

As ações formativas reforçam outra dimensão do trabalho desenvolvido por Rafael Mourão: a transmissão de conhecimentos. Formado em Artes Cênicas pela UFMG, em Circo Popular pela Escola Trupetralha e em mágica pelo CECAM, Rafael também atua como educador e produtor cultural. Foi professor de circo no Teatro Universitário e nos cursos técnicos do CICALT/Plug Minas, além de ter ministrado aulas em escolas particulares de Belo Horizonte.

Ao longo de sua trajetória, Rafael Mourão e o Circo do Sufoco passaram por teatros, espaços alternativos, praças, festivais e instituições culturais em Minas Gerais e outros estados brasileiros. Nesse percurso, a comemoração dos 15 anos não representa apenas um olhar para o passado, mas uma afirmação da permanência do circo como linguagem artística capaz de se transformar sem perder sua essência. “O circo permanece vivo, pulsante, mas sabemos que para isso foram necessárias adaptações”, resume Rafael. “Para manter o circo vivo é preciso enfrentar essas dificuldades com muito profissionalismo e entrega”, conclui.

Instituto Unimed-BH

O Instituto Unimed-BH completou 23 anos em 2026 e conta com o apoio de mais de 5,9 mil médicos cooperados e colaboradores da Unimed-BH. Criado em 2003 e, desde então, patrocina, apoia e realiza projetos socioculturais e socioambientais visando à formação da cidadania, estimulando a saúde e bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, fomentando a economia criativa, gerando trabalho e renda para diversas famílias, valorizando espaços públicos e o meio ambiente, através de projetos patrocinados, apoiados e realizados em cinco linhas de atuação: Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura, que estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

SERVIÇO

Circo do Sufoco – 15 anos

Espetáculos: “Sufoco”, “Atemporal” e “Corações Trapezistas”

Programação: apresentações, cortejos, oficinas e atividades formativas

Gratuito.

20/09, às 14h: Cortejo – Parque Ecológico Pedro Machado

20/09, às 16h: “Sufoco” – Parque Ecológico Pedro Machado

21/09, às 9h45: “Atemporal” – EM Dom Jaime de Barros Câmara

22/09, às 10h: “Atemporal” – EM Jardim Vitória

07/11, às 10h: Cortejo – Praça Cândido Portinari

07/11, às 16h: “Sufoco” – Praça Cândido Portinari

08/11: às 14h Cortejo – Parque Burle Marx

08/11, às 16h: “Sufoco” – Parque Burle Marx

12/11: às 14h: Cortejo – Centro Cultural Vila Fátima

11/11: às 14h: Cortejo – Centro Cultural Venda Nova

12/11, às 15h: “Corações Trapezistas” – Centro Cultural Vila Fátima

11/11, às 15h: “Corações Trapezistas” – Centro Cultural Venda Nova

15/11, às 10h30: “Sufoco” – Parque Municipal

Oficina de Perna de Pau - Centro Cultural São Geraldo; e Oficina de Bambolê - Centro Cultural Pampulha. Sem a necessidade de inscrição. As datas serão divulgadas no Instagram @circodosufoco.

05/11/26, às 19h - Palestras on-line: Gestão cultural

19/11/26 às 19h - Palestra on-line: Maquiagem artística

25/11/26 às 19h - Palestra on-line: Figurino

Palestras pelo Zoom. Inscrições no Instagram @circodosufoco.

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Foto: Thelmo-Lins

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