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Christiane Torloni fala em “boiada passando” e critica possível privatização de rios

DESTAQUECIDADEPOLÍTICA

A atriz Christiane Torloni usou as redes sociais para questionar intervenções em hidrovias como as dos rios Rio Tapajós, Rio Madeira e Rio Tocantins, criticou a dragagem para escoamento agrícola, citou o caso do Rio Doce e convocou a população à mobilização política em ano eleitoral.

A atriz Christiane Torloni publicou um vídeo nas redes sociais em que faz duras críticas ao que chamou de novo “capítulo de um filme de terror” no Brasil: a suposta tentativa de privatização de rios.

No desabafo, Torloni afirma que, enquanto muitos brasileiros estavam aproveitando o Carnaval, “a boiada estava passando pelos rios”. Segundo ela, haveria movimentos para permitir intervenções e exploração econômica em rios como o Rio Tapajós, o Rio Tocantins e o Rio Madeira, inclusive em áreas próximas a territórios indígenas.

A atriz questiona a possibilidade de dragagem para facilitar o escoamento da produção agrícola e critica o que chama de favorecimento ao agronegócio em detrimento da preservação ambiental. “Como é que pode privatizar um rio?”, indaga no vídeo, afirmando que os rios são patrimônio do povo brasileiro.

Ela também menciona o caso do Rio Doce, atingido pelo rompimento da barragem em Mariana, dizendo que o rio “está em coma” e usando o episódio como exemplo dos impactos ambientais já enfrentados no país.

Durante a fala, Torloni cita ainda o ex-presidente da Assembleia Constituinte Ulysses Guimarães, sugerindo que a Constituição estaria sendo desrespeitada. Ao final, convoca a população a se mobilizar politicamente, lembrando que é ano eleitoral e defendendo mudança nas urnas.

O vídeo gerou forte repercussão nas redes sociais, dividindo opiniões entre apoiadores das pautas ambientais levantadas pela atriz e defensores das políticas de infraestrutura e expansão logística ligadas ao agronegócio.

Veja os principais pontos para entender o que de fato aconteceu:

📌 O que foi o decreto?

Em agosto de 2025, o governo federal editou o Decreto nº 12.600/2025, incluindo trechos das hidrovias dos rios Rio Tapajós, Rio Madeira e Rio Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND).

➡️ Importante: o texto não previa a “venda” dos rios, mas a concessão da gestão das hidrovias à iniciativa privada, permitindo obras como dragagem e derrocamento para melhorar a navegabilidade — principalmente para escoamento de commodities agrícolas, como soja.

⚖️ Por que houve polêmica?

A medida enfrentou forte resistência de:

  • Povos indígenas e comunidades tradicionais

  • Organizações ambientalistas

  • Movimentos sociais

As críticas se concentraram em três pontos principais:

  1. Falta de consulta prévia, como prevê a Convenção 169 da OIT.

  2. Risco de impactos ambientais, especialmente na região amazônica.

  3. Temor de que a medida favorecesse o agronegócio em detrimento da preservação ambiental.

A Constituição Federal estabelece que rios que atravessam mais de um estado ou fazem fronteira internacional são bens da União — ou seja, não podem ser privatizados como propriedade.

🌊 O exemplo do Rio Doce

No vídeo, Torloni também citou o Rio Doce, atingido pelo rompimento da barragem de Mariana em 2015, como símbolo dos danos ambientais já enfrentados no país.

O que aconteceu depois?

Após cerca de um mês de mobilizações e pressão social, o governo revogou o decreto em fevereiro de 2026.

📌 Situação atual:

Não existe, neste momento, processo em andamento para concessão ou “privatização” dessas hidrovias.

A revogação foi interpretada por movimentos sociais como uma vitória sob o lema de que “rios não são mercadoria”, enquanto setores produtivos defenderam a necessidade de modernização logística para reduzir custos e aumentar competitividade.

O debate continua

O episódio evidencia um embate recorrente no Brasil:
desenvolvimento econômico x preservação ambiental.

De um lado, há a defesa da ampliação da infraestrutura para fortalecer exportações.
De outro, a preocupação com impactos ambientais, direitos indígenas e cumprimento constitucional.

A discussão permanece no campo político e jurídico — e deve continuar sendo pauta relevante no cenário eleitoral e ambiental brasileiro.

Foto: Divulgação

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