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Até quando? Duas mulheres são mortas na mesma noite na Grande BH

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Silvani Paulino, de 36 anos, foi morta a tiros dentro do salão de beleza onde trabalhava, em Contagem. Horas depois, Thais Gonçalves, de 26 anos, também foi assassinada na cidade. Dois crimes em uma única noite reacendem o alerta sobre o feminicídio e a violência contra mulheres na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

ATÉ QUANDO?

A pergunta precisa ser repetida. Precisa incomodar. Precisa chegar às autoridades, à Justiça e a toda a sociedade.

Na noite de segunda-feira (17 de agosto de 2026), duas mulheres foram assassinadas em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em um intervalo de poucas horas.

Duas vidas interrompidas. Duas famílias destruídas. Duas histórias que jamais poderão ser reescritas.

As vítimas foram Silvani Paulino, de 36 anos, e Thais Gonçalves, de 26 anos.

Os crimes são investigados separadamente, mas os dois casos voltam a colocar no centro do debate uma realidade que não pode ser tratada como algo normal: a violência contra mulheres dentro de relacionamentos ou após o fim deles.

Silvani foi morta dentro do próprio local de trabalho

Silvani Paulino era manicure e trabalhava em um salão de beleza adaptado dentro da casa onde morava com a família, no bairro Funcionários, em Contagem.

Na noite de segunda-feira, ela foi morta a tiros dentro do próprio salão.

Informações preliminares apontam que o marido da vítima, de 37 anos, é o principal suspeito do crime. Após os disparos, ele fugiu e ainda não havia sido localizado pela Polícia Militar.

O corpo de Silvani foi encontrado pela filha mais velha do casal, de 17 anos.

A violência aconteceu em um espaço que fazia parte da rotina da manicure, onde ela recebia clientes e trabalhava diariamente.

Uma vizinha, que também era cliente de Silvani, relatou que estava em casa quando ouviu aproximadamente cinco disparos.

“Todo mundo veio aqui desesperado, chorando, porque foi todo um choque. Foi do nada”, contou.

A Polícia Militar realiza diligências para localizar o principal suspeito e esclarecer as circunstâncias e a motivação do crime.

Thais também foi vítima da violência

Na mesma noite, outro crime brutal foi registrado em Contagem.

Thais Gonçalves, de 26 anos, foi perseguida e morta pelo ex-companheiro, segundo as informações divulgadas sobre o caso.

A jovem retornava do trabalho quando teria sido perseguida pelo ex-companheiro. Durante a ocorrência, ela foi atacada com golpes de faca e morreu.

O suspeito fugiu e permanece sendo procurado pelas autoridades.

Mais uma mulher.

Mais uma família.

Mais uma história interrompida.

E tudo isso aconteceu na mesma noite e na mesma cidade.

Quando um homem não aceita o fim

Existe uma frase que precisa ser repetida quantas vezes forem necessárias:

O fim de um relacionamento não dá ao homem o direito de controlar, perseguir, ameaçar ou matar uma mulher.

Uma mulher não pertence ao marido.

Não pertence ao namorado.

Não pertence ao ex-companheiro.

Mulher não é propriedade.

O término pode causar sofrimento, tristeza e frustração. Mas nenhum desses sentimentos justifica violência.

Quando um homem acredita que tem o direito de decidir com quem uma mulher pode falar, onde pode ir, com quem pode se relacionar ou se ela pode ou não terminar uma relação, estamos diante de uma situação de violência e controle.

E quando esse comportamento chega à ameaça, à perseguição ou à agressão, o risco precisa ser levado a sério.

Feminicídio não começa no último momento

O feminicídio muitas vezes é o ponto final de uma sequência de comportamentos violentos.

Antes do assassinato podem existir ameaças, humilhações, agressões psicológicas, violência física, perseguição, controle financeiro, isolamento e tentativas de impedir que a mulher tenha autonomia.

Por isso, combater o feminicídio também significa agir antes que aconteça o assassinato.

É preciso ouvir as mulheres.

É preciso levar as ameaças a sério.

É preciso fortalecer a rede de proteção.

É preciso investigar.

É preciso responsabilizar os agressores.

E é preciso garantir que mulheres em situação de risco tenham condições de romper o ciclo de violência com segurança.

Duas mortes em uma noite não podem ser apenas mais uma notícia.

Silvani tinha 36 anos.

Thais tinha 26.

Eram mulheres com suas próprias histórias, famílias, sonhos, trabalho e planos.

Silvani trabalhava como manicure e atendia suas clientes dentro de casa.

Thais voltava do trabalho.

A rotina das duas foi interrompida de maneira brutal.

Para suas famílias, elas não são números.

São mães, filhas, irmãs, amigas, companheiras e pessoas que deixarão uma ausência impossível de preencher.

Por isso, os dois casos precisam ser investigados com rigor e acompanhados pela sociedade.

Até quando?

Quantas mulheres ainda precisarão morrer para que a sociedade compreenda a gravidade da violência praticada dentro das relações?

Até quando uma ameaça será tratada como uma simples discussão de casal?

Até quando uma perseguição será confundida com ciúme?

Até quando um homem que não aceita o fim será visto apenas como alguém “inconformado”?

Não é inconformismo. É violência quando ele tenta controlar a vida da mulher.

E quando essa violência chega ao assassinato, estamos diante do feminicídio.

A sociedade não pode esperar o próximo crime para voltar a discutir o assunto.

Duas mulheres foram mortas na mesma noite.

Duas famílias estão vivendo uma dor que não tem como ser reparada.

E outras mulheres não podem ser as próximas vítimas.

Jornal Sempre BH e Jornal da Grande BH repudiam o feminicídio

O Jornal Sempre BH e o Jornal da Grande BH repudiam veementemente o feminicídio e qualquer forma de violência contra as mulheres.

Não existe amor em quem ameaça, persegue, agride ou mata uma mulher porque não aceita o fim de um relacionamento.

Isso não é amor. Não é ciúme. Não é demonstração de sentimento. É violência, covardia e crime.

Homens que acreditam ser donos de suas companheiras ou ex-companheiras precisam entender que nenhuma mulher pertence a ninguém.

Uma mulher tem o direito de terminar um relacionamento, reconstruir sua vida, fazer suas escolhas e seguir seu próprio caminho.

Para nós, homens que matam mulheres porque não conseguem aceitar um “não” ou o fim de uma relação demonstram uma profunda incapacidade de respeitar a liberdade e a vida de outra pessoa.

São homens que confundem relacionamento com posse e, diante da perda do controle, recorrem à violência.

São fracos diante da própria incapacidade de aceitar uma decisão que não controlam. E é justamente essa mentalidade de posse que precisa ser combatida.

Defendemos que os autores de feminicídio sejam presos, investigados, julgados e, quando condenados, cumpram penas rigorosas, conforme determina a legislação brasileira.

Quem tira deliberadamente a vida de uma mulher precisa responder pelo crime e cumprir a pena determinada pela Justiça.

Não podemos aceitar que a vida de uma mulher seja destruída porque um homem decidiu que ela não poderia dizer:

“Acabou.”

Mulher não é propriedade.

Término não é crime.

Dizer “não” não é provocação.

E nenhum homem tem o direito de decidir quem vive ou quem morre.

O Jornal Sempre BH e o Jornal da Grande BH se solidarizam com as famílias de Silvani Paulino e Thais Gonçalves, assim como com todas as famílias que perderam mulheres vítimas de feminicídio.

Que os nomes dessas mulheres não sejam esquecidos.

Que suas histórias não sejam reduzidas a números.

E que suas mortes sirvam para aumentar a cobrança por prevenção, proteção, investigação e punição.

Porque não podemos continuar contando mulheres mortas.

ATÉ QUANDO?

ATÉ QUANDO?

ATÉ QUANDO?

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